Imortais
THEATRE OF DREAMS
THEATRE OF DREAMS
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Naquela noite de 9 de março de 2004, Old Trafford não era apenas um estádio. Era uma fortaleza erguida sobre décadas de glória, onde o Manchester United se julgava senhor do destino e onde os sonhos dos adversários tantas vezes se desfaziam como névoa ao amanhecer. O FC Porto, porém, atravessara o mar não como peregrino, mas como conquistador.
O relógio aproximava-se do seu derradeiro suspiro. O marcador mostrava 1-1 na eliminatória em Manchester, resultado que, pela regra dos golos fora, lançava os ingleses para a frente. O tempo era um tirano. Cada segundo tombava como um golpe de machado sobre as esperanças portistas.
Então, quando parecia que o destino já gravara o seu veredito em pedra, o Porto recusou ajoelhar-se.
Benni McCarthy colocou a bola. O silêncio antecedeu a tempestade. O livre rasgou o ar de Old Trafford como uma seta disparada pelos deuses antigos. Tim Howard voou e desviou o remate, julgando ter afastado o perigo. Mas há bolas que não pertencem aos guarda-redes, nem aos defesas, nem sequer ao acaso.
Pertencem à História.
Ali surgiu Costinha.
Não como um médio defensivo, mas como um guerreiro saído das sombras. Não hesitou. Não pensou. Apenas respondeu ao chamamento invisível do destino. Atirou-se ao ressalto e empurrou a bola para o fundo das redes, como quem finca um estandarte no coração do império adversário.
Por um instante, o tempo parou.
Old Trafford, tão habituado ao rugido da sua multidão, mergulhou num silêncio sepulcral. Um silêncio pesado, quase sagrado, como se as próprias bancadas recusassem acreditar no que os seus olhos testemunhavam.
E, do outro lado, explodiu o universo azul e branco.
Aquele golo não valeu apenas um empate. Valeu a queda de um gigante. Valeu a passagem aos quartos de final. Valeu a convicção de que aquele Porto não conhecia limites.
Porque há golos que mudam um jogo.
Há golos que mudam uma eliminatória.
E depois há golos como o de Costinha.
Golos que rasgam o véu do impossível, que transformam homens em lendas e uma equipa numa epopeia. Quando a bola beijou as redes de Old Trafford, não foi apenas o Manchester United que tombou. Foi o anúncio ao mundo de que os Dragões estavam destinados a conquistar a Europa. E, meses depois, em Gelsenkirchen, o destino apenas confirmou aquilo que, naquela noite inglesa, já tinha sido escrito em letras de ouro
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